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17/11/2021 18:10

Fórum Baiano de Mudanças Climáticas debate relatório do IPCC e COP26

Membros do Fórum Baiano de Mudanças Climáticas Globais e da Biodiversidade (FBMC-Bio) realizaram, nesta quarta-feira (17), de maneira virtual, a 6ª reunião ordinária do Colegiado. Em destaque, as apresentações sobre o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) e o andamento dos inventários de Emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Representando a secretária do Meio Ambiente, Márcia Telles, o superintendente de Inovação e Desenvolvimento Ambiental da Sema e diretor de Recursos Hídricos e Monitoramento Ambiental do Inema, Eduardo Topázio, ressaltou a importância da participação e trabalho desempenhado pelos membros que compõem o  FBMC-Bio. "O papel do fórum é debater sobre os problemas em determinadas áreas, juntamente com cientistas e pesquisadores, para chegar a uma solução efetiva de como vamos enfrentar a situação, tudo isso num país carente de recursos. Mas vale sinalizar que devemos também ter iniciativas e assegurar a participação de uma representação política e regional que fortaleça essas mesmas tratativas, desfazendo as grandes burocracias e criando novas estratégias de ação que sejam de fato eficazes”, pontuou.

Dentro da programação, o superintendente de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Tiago Porto, realizou uma apresentação sobre o mais recente relatório do IPCC, com recorte para a região Nordeste do Brasil. “Realizado pelo grupo de trabalho que trata as bases físicas das mudanças climáticas dentro do IPCC, em resumo, o relatório aborda o entendimento atual sobre o clima, projeções futuras e influência antrópica neste processo. Temos uma grandiosidade de informações técnicas nesta nova publicação, que contempla a citação de 14 mil estudos e a participação de 234 autores, de 66 países, sendo sete brasileiros. O diferencial em relação aos anteriores está no refinamento das análises com avanços nas metodologias de obtenção de dados, aos novos modelos e simulações, as variáveis climáticas e dados sobre a influência humana, neste último, destaca que é inequívoca a influência direta do homem nas mudanças climáticas”, esclareceu.

“O Estudo aponta que, desde 2006, estamos com uma taxa três vezes mais rápida de elevação do nível do mar e considerando a projeção atual de emissões de gases de efeito estufa, em poucos anos já poderemos transcender o limite estabelecido para aumento de temperatura, de 1,5 ºC. Esse cenário aumentaria as ocorrências de eventos climáticos extremos, como períodos mais longos de seca em algumas regiões e a intensificação de tempestades em outras. Especificamente no Nordeste do Brasil resultará em impactos diretos no aumento das temperaturas médias, alterando os ciclos de estiagem e precipitações”, explicou Porto. 

Ainda de acordo com o superintendente, os inventários de GEE são fundamentais para elaboração de estratégias de redução nas emissões e consequente mitigação das mudanças climáticas. “A elaboração dos inventários integra as medidas adotadas pela Sema e o Inema para implementar a Política de Mudanças Climáticas do Estado da Bahia, instituída em 2011. Com este instrumento, será possível avaliar o perfil de emissões de cada segmento, um determinado processo produtivo ou uma empresa,  e a partir daí estabelecer metas mais criteriosas para a gestão e redução das emissões de gases de efeito estufa. Este é um compromisso que deve ser assumido por todos, um alinhamento entre gestores públicos, empresariado e sociedade civil, só assim será possível amenizar o panorama de impactos da crise climáticas, evidenciada pelo relatório do IPCC”, finalizou Tiago.

Convidado a participar da reunião, o representante do Instituto ClimaInfo, Delcio Rodrigues, contribuiu com uma análise das tratativas realizadas na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26) e a situação vivenciada por Moçambique, que no ano passado passou por uma enchente que afetou a estrutura do país, e a Indonésia, que tem sofrido com furacões, afetando as habitações locais. “O que acontece é que os países ricos não querem de maneira nenhuma aceitar que são responsáveis pelas mudanças climáticas de Moçambique e Indonésia. E a grande pergunta é: quem paga por este dano? A resistência deles em aceitar a responsabilidade por esses eventos climáticos é um ponto grave e uma das mais difíceis de ser obtidas”. pontuou.

“O que eu observo é que os países na ONU não representam, de fato, aquilo que é o objetivo comum da humanidade que são uma atmosfera adequada, água limpa, dentre outros pontos relevantes para todos. Nada disso está em discussão, mas sim os interesses geopolíticos de cada país, então esse é o nosso desafio, fazer a diferença em meio aos demais. Fazer a nossa parte”, enfatizou Rodrigues.

Ao final, os participantes decidiram sobre as matérias que serão apreciadas nas Câmaras Temáticas. “A reunião superou as expectativas, foram abordados temas relevantes para gestão do clima em nosso estado, como a retomada dos trabalhos das Câmaras Temáticas, que vão refletir sobre as proposições, tanto para os inventários de GEE, quanto na discussão e elaboração do Plano Estadual de Enfrentamento às Mudanças Climáticas”, destacou a coordenadora da Secretaria Executiva dos Colegiados Ambientais da Sema (Secex), Mariana Mascarenhas.

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