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03/11/2021 17:50

Projeto executado pela Sema incentiva jovens do campo a atuarem como multiplicadores de ações socioambientais

O ano de 2021 marca o encerramento do projeto “Educação Ambiental na Agricultura Familiar: Fortalecendo e Potencializando a Ação da Juventude do Campo Baiano”, implementado nas Escolas Famílias Agrícolas (EFA) dos municípios de Alagoinhas, Quixabeira e Rio Real, contemplando 150 jovens, provenientes de comunidades com predominância da economia agrícola de baixa renda. Em atendimento à demanda apresentada pelas escolas, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) realizou, neste mês de outubro, a entrega de equipamentos de proteção individual (EPI) e materiais comunicativos para utilização nas atividades práticas de campo e educação ambiental. 

Com metodologias participativas e destaque para a educomunicação, o projeto, fruto de convênio entre a Sema e o Fundo Nacional do Meio Ambiental (FNMA), teve o objetivo de estimular, através de processos educativos, a adoção de práticas produtivas sustentáveis na agricultura familiar. “Os alunos foram os verdadeiros protagonistas, tornando-se agentes populares e multiplicadores da educação ambiental. O projeto buscou também incentivar a criação de alternativas e intervenções sustentáveis para os problemas ambientais enfrentados em cada região, numa construção participativa entre os estudantes, suas famílias e as comunidades onde residem”, explicou a diretora de Educação Ambiental da Sema, Mônica Castro.

A equipe da Diretoria de Educação Ambiental para a Sustentabilidade (Dieas) da Sema distribuiu nas escolas contempladas óculos de proteção ampla visão, em plástico rígido e estrutura em PVC; conjuntos de fardamento, em brim leve; bonés com capuz de segurança; capas para chuva; botas de borracha PVC, cano alto, na cor preta; e banners informativos.  

A especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Sema, Jamile Trindade, destacou que a entrega dos materiais atende a uma demanda apresentada durante o processo de formação e desenvolvimento dos projetos socioambientais elaborados pelos jovens, de acordo com a realidade e necessidade de cada escola. “A entrega dos materiais educomunicativos e EPI vem fortalecer o trabalho das escolas a partir de campanhas educativas nas comunidades, destacando o compromisso do projeto com as práticas ambientalmente sustentáveis e o protagonismo jovem na agricultura familiar”, completou.

Para Iracema dos Santos, diretora da EFA de Jaboticaba, município de Quixabeira, a realização da parceria com a Sema foi extremamente importante para os educadores, estudantes, comunidades e territórios onde vivem as famílias agricultoras. “Num diálogo intrínseco com os princípios da Pedagogia da Alternância e com o trabalho desenvolvido pela EFA, foi possível promover grandes aprendizados, oportunizar a troca de saberes entre formadores e estudantes, ampliando a compreensão do que significa meio ambiente e as melhores práticas de se relacionar com ele”, enfatizou a gestora. 

A equipe da Sema realizou, durante a vigência do convênio, cursos para formação dos alunos nas temáticas: elaboração de projetos socioambientais e metodologias participativas, agroecologia, educomunicação e Cadastro Ambiental Rural (CAR/Cefir). Com carga horária total de 160h, a capacitação propiciou o debate sobre práticas agrícolas tradicionais e alternativas sustentáveis que reduzem os impactos ao meio ambiente, propiciem melhorias na saúde alimentar no campo, com a produção e consumo de alimentos orgânicos, bem como, a produção de conteúdo para redes sociais.

Como resultado, os estudantes elaboraram vídeos, spots para rádio, cards, folders e cartazes,com a finalidade de agregar parcerias. “Foi muito importante constatar que as escolas vêm se articulando territorialmente com parcerias que tem dado continuidade aos projetos socioambientais. Isso nos mostra que o projeto, mesmo com as dificuldades enfrentadas, tem deixado um legado na região”, completou Jamile Trindade.


Ações e desdobramentos do Projeto

Como produto da formação, foram elaborados projetos associados à implementação de tecnologias sociais como restauração e construção de cisternas de água de chuva, biodigestor, instalação de bacias de evapotranspiração, hortas agroecológicas, reaproveitamento de águas cinzas, projetos de recaatingamento e sistemas agroflorestais. 

A partir das experiências obtidas, o projeto poderá servir de inspiração para as demais Escolas Famílias Agrícolas da Bahia, efetivando o compromisso do Estado, estabelecido pelo Decreto nº 14.110/2012, que institui o Programa Estadual de Apoio Técnico-Financeiro às Escolas Família Agrícola e Escolas Familiares Rurais do Estado da Bahia. 

Monitor e membro da diretoria da EFA de Alagoinhas, Clemerson Alan Santos, ressaltou que os conhecimentos e práticas abordadas, durante o projeto, romperam a barreira da sala de aula. “Destaco primeiro a sensibilização para o cuidado com o meio ambiente, cada participante saiu com a certeza de que o futuro no campo depende do desenvolvimento de práticas agrícolas alinhadas aos cuidados com a natureza, inclusive para valoração da produção na agricultura familiar. Outro ponto foi o empoderamento destes jovens, que conseguiram perceber que são os agentes transformadores da realidade vivenciada em suas comunidades. Digo que conseguimos plantar uma semente na formação destes garotos que fez florescer a preocupação em cuidar do meio ambiente, hoje muitos estão no mercado de trabalho e levam estes conhecimentos para o seu dia a dia", disse.

Entusiasta das ações ambientais na educação, a professora Dulcilene Silva, enfatizou que o curso de educação ambiental possibilitou repensar seu papel como agente social e, sobretudo, como educadora. “Quando fui comunicada que teria o curso na escola, fiquei cheia de perspectivas, logo fomos informados que seria possível a participação de professores/educadores e estudantes. A experiência superou minhas expectativas de forma positiva, os conteúdos e as metodologias eram espetaculares. Assim, iniciamos uma série de aulas de campo e os conteúdos trabalhados em sala de aula foram ressignificados, principalmente quando fazíamos atividades correlacionadas à realidade da escola e seu entorno”. 

“Por conta da participação dos estudantes, os momentos de estudos não eram mais os mesmos, sempre estávamos introduzindo algo novo, as discussões eram extremamente produtivas, induzindo cada vez mais a repensar o meio ambiente como nossa casa comum”, ressaltou Silva.

Outro ponto destacado pela professora foi a introdução de métodos e técnicas que não estavam presentes em sua rotina, como o uso de ferramentas de comunicação de massa, comunitária e produção de conteúdo para as redes sociais, para disseminar os trabalhados realizados na escola.   

Na EFA de Jaboticaba, a elaboração dos projetos e campanhas de comunicação permitiu traçar o diagnóstico das realidades e dos problemas socioambientais vivenciados, assim como as formas de nele intervir. “O conceito de Educação Ambiental e as práticas de agroecologia na agricultura familiar motivaram os estudantes a um cultivo mais consciente e amoroso da produção agrícola. Levou-os a entender que somos responsáveis e cuidadores da mãe natureza e de nós mesmos”, enalteceu a diretora, Iracema dos Santos.

“Quando contextualizamos a realidade e a teoria, os jovens visualizam novas perspectivas de mudanças. A abordagem em formação em agentes culturais possibilitou a eles inserir tecnologias e multiplicar o conhecimento no seu meio, além de avançar nas práticas de elaboração e planejamento de projetos. Enfim, o homem e o campo são base de estudos que devem ser explorados e lapidados na transformação do seu meio, buscando conhecimentos para melhorar sua produção e vivência na agricultura familiar”, finalizou Osmar Souza, diretor da EFA Litoral Norte, município de Rio Real.

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