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Notícias

25/09/2020 13:20

Especialistas fazem alerta sobre o impacto das mudanças climáticas nos oceanos

“Não há dúvidas que estamos vivendo um momento de urgência climática, um colapso na biodiversidade, por exemplo, pode gerar uma pandemia por mês. As pessoas não conseguem olhar o oceano e perceber as mudanças climáticas, porque é um processo lento, mas destaco a seriedade e urgência de reduzir o risco futuro”, pontuou o cientista e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, Carlos Nobre, na sua fala de abertura da sessão plenária “Vulnerabilidade Costeira e Mudanças Climáticas”, durante o II Fórum Internacional de Meio Ambiente e Economia Azul, que termina nesta sexta-feira (25). 

Carlos Nobre também destacou que a ação humana nos últimos séculos alterou tanto o planeta, que mudamos a era geológica. “Essa grande aceleração faz crescer exponencialmente os gases de efeito estufa, com anomalias na temperatura. Na medida em que a temperatura aumenta, o nível do mar também aumenta, por dois fatores principais: a expansão térmica das águas dos oceanos e o derretimento das geleiras. Ainda que a escala temporal seja mais longa, isso pode trazer grandes riscos, como o desaparecimento de diversas cidades costeiras, a exemplo de Xangai e Nova York, e engolir parte de grandes países, como a Holanda e Vietnã. Algumas regiões da costa brasileira também estão bastante vulneráveis”, salientou.  

O cientista lembrou ainda sobre o Acordo de Paris, onde os países se comprometeram a conter o aquecimento global abaixo de 2ºC, preferencialmente em 1,5ºC. “É tempo de agir. O Brasil está fugindo do cumprimento das metas acordadas. Precisamos retomar a nossa trajetória de sustentabilidade e pensar nas gerações futuras”, finalizou. 

O coordenador no Núcleo de Modelagem Ambiental do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (UFRJ), Luiz Paulo Assad, apresentou métodos de investigações e aplicações no Brasil que ele tem desenvolvido e que podem dar suporte ao entendimento da vulnerabilidade costeira em algumas regiões. “A ciência nos ensina que devemos ser proativos e não reativos”, ressaltou o professor, trazendo exemplos acadêmicos e científicos para o enfrentamento às mudanças climáticas. 
 
O debate virtual contou ainda com a participação de outros grandes pesquisadores e especialistas do Brasil e Portugal: José Maria Landim, coordenador do INCT AmbTropic - Ambientes Marinhos Tropicais (IGEO/UFBA);  Marcelo Rollnic, doutor em Oceanografia e professor  (UFPA); Antonio Geraldo, professor do LABOMAR -Brasil; Guilherme Franz, pós-doc do Programa de Pós-Graduação em Sistemas Costeiros e Oceânicos (UFPR); e Jose Luis Zêzere, vice-presidente do European Centre on Geomorphological Hazards (CERG). 

Todo o conteúdo do Fórum ficará disponível na íntegra pela página: youtube.com.br/aircentre.

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