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Notícias

30/04/2020 15:20

Pandemia e segurança alimentar: a comida na sua mesa é de verdade?

Live da Sema aborda a qualidade e diversidade da alimentação dos baianos durante a pandemia e fora dela


A pandemia mundial causada pelo Covid – 19 está provocando uma maior reflexão das pessoas sobre a qualidade dos alimentos que consomem, isso porque, muitos médicos alertam para a importância de se estar com a imunidade alta para enfrentar essa doença de forma mais tranqüila. Segundo enfatizam, quanto mais baixa a imunidade da pessoa, mas suscetível ela está para o agravamento da sua saúde em caso de contaminação pelo vírus. Garantir o acesso da população ao alimento, e com qualidade, é um desafio imposto de forma mais urgente nesse momento em que o isolamento social é uma das armas mais eficazes para o controle da doença. 

Para falar sobre o assunto, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) convidou o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Oliveira, coordenador geral do Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP) e membro do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). A Live foi realizada ontem (29), às 18h, com mediação do professor de Agroecologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF- Baiano) e assessor especial da Sema, Durval Libânio, e faz parte da série “Meio Ambiente e Pandemia”. O titular da Sema, João Carlos Oliveira, fez a abertura da transmissão ao vivo e ressaltou a oportunidade ímpar de abrir o diálogo sobre as questões ambientais durante a pandemia. O secretário fez um apelo para que as pessoas fiquem casa, e deu o exemplo ao aparecer de máscara durante sua fala.  

Uma das abordagens apresentadas pelo mediador fez referência direta ao livro “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, publicado nos Estados Unidos, na década de 70, e considerado um marco do movimento ambientalista. “Este livro é uma referência nos debates em saúde pública, por alertar sobre as ameaças que os agrotóxicos trazem ao ambiente e à população. Traz um questionamento do modelo de produção de alimentos em larga escala, sem levar em consideração os aspectos relacionados às questões ambientais e nutricionais da qualidade do alimento. E sabemos que alimentos produzidos em grande escala, com o uso de fertilizantes solúveis, agrotóxicos, não apresentam a mesma qualidade nutricional que o alimento produzido pelo agricultor familiar, que utiliza os princípios da agroecologia, dos ciclos naturais e o seu conhecimento tradicional passado de geração para geração. Como garantir que o alimento produzido pela agricultura familiar chegue à mesa do consumidor nesse momento?” questionou Durval Libânio. 

Para Carlos Eduardo, não há como intervir no sistema de isolamento social, fundamental para preservação da saúde das pessoas, e, partindo dessa premissa, analisou duas situações, por um lado, uma população de baixa renda sem recursos para se alimentar, e de outro, a produção da Agricultura Familiar com dificuldade para escoamento. “A ANA lançou uma campanha para retomar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que serviu para tirar o Brasil do mapa da fome. Através desse programa, estados e municípios compram diretamente do agricultor familiar, e as próprias associações e cooperativas entregam seus produtos nas creches, escolas, asilos, restaurantes populares e comunidades identificadas em situação de insegurança alimentar, como quilombos, e outras entidades da rede socioassistencial. Esse programa encurta as cadeias longas de comercialização, com a compra direta e doação simultânea. Uma vez liberados esses recursos, a nossa urgência é o seu repasse para Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aos governos estaduais e municipais, pois são estes os órgãos públicos que operacionalizam o Programa. Os recursos precisam chegar imediatamente para os agricultores e as agricultoras familiares, pois como já dizia Betinho: quem tem fome, tem pressa”, afirmou Carlos Eduardo. 

O convidado ressaltou que o Programa de Aquisição de Alimentos, em 2012, conseguiu comercializar mais de 350 produtos da agricultura familiar, potencializando a diversidade da produção agrícola e cultura alimentar de cada localidade. Falou também sobre a valorização do trabalho das mulheres no meio rural, e a necessidade da preservação da sua integridade física e emocional, com o fortalecimento dos canais de denúncia da violência contra a mulher. “Não adianta a gente produzir o alimento através do trabalho escravo, da exploração das mulheres. Precisamos ter um alimento que chegue à mesa das pessoas com uma cadeia que gera um processo de justiça social, econômica e ambiental”, afirmou Carlos, definindo assim o conceito de “comida de verdade”, que busca o equilíbrio entre satisfazer as necessidades nutricionais das pessoas com alimentos promotores de saúde e de direitos, sob bases ambientais e sociais justas, livres de contaminantes, integrado à cultura e às tradições de povos e populações regionais. 

Você ainda pode conferir a live Segurança Alimentar e Coronavírus até às 19h de hoje (30), no instagram da Sema: @semabahia.
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