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28/11/2018 11:10

Sema realizou primeiro seminário de avaliação do estudo sobre potencial do aquífero Urucuia

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) realizaram, na última segunda-feira (26), um seminário de avaliação técnica do Estudo do Potencial Hídrico da Região Oeste da Bahia: quantificação e monitoramento da disponibilidade dos recursos do Aquífero Urucuia e superficiais nas bacias dos rios Corrente e Grande. Cerca de 50 especialistas e pesquisadores de diferentes instituições discutiram a metodologia e os primeiros resultados do estudo.

"Nosso objetivo é dar transparência e promover o debate sobre este trabalho que é financiado pelo Prodeagro. Procuramos compreender com a ajuda de especialistas os limites dos dados disponíveis, com foco na preocupação ambiental, social e produtiva para o desenvolvimento sustentável do oeste. Agradeço muito a colaboração de todos. Conseguimos formar um ambiente técnico da mais alta qualidade, e espero que eles possam continuar a contribuir com a gestão de água na Bahia", disse o secretário do Meio Ambiente, Geraldo Reis.

Participaram pesquisadores e especialistas de diferentes instituições, a exemplo da UFBA, Uneb, CPRM, Cerb, Agencia Nacional de Águas (ANA), Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Seagri, SDR, SIHS, Sema, Inema, Frente Parlamentar Ambientalista da Bahia, Aiba e Abapa.

O estudo, iniciado em abril de 2017, com previsão de conclusão em março de 2019, é formado por um conjunto de projetos colaborativos desenvolvidos por pesquisadores e técnicos das Universidades Federais de Viçosa e do Rio de Janeiro, com apoio da Universidade Federal do Oeste da Bahia, Universidade Federal de Goiás e da Universidade Estadual da Bahia. Financiado pela Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), em acordo de cooperação técnica com secretarias e órgãos do Governo do Estado da Bahia (Seagri, Sema, Inema, SIHS). Os projetos são financiados com recursos do Prodeagro e do CNPq.

No seminário, foram avaliados os temas Hidrogeologia, Hidrologia, Uso e Ocupação do Solo, Governança e Demandas do Uso da Água.

Entre as informações mostradas, consta que cerca de 80% do aquífero Urucuia está localizado no oeste da Bahia, o equivalente a 12 milhões de hectares. A área irrigada na região passou, entre 1990 e 2018, de 16.431 ha para 192.282 ha. A precipitação apresenta grande variação no período, com anos de 500 mm e anos de 1700 mm, mas vem diminuindo ao longo dos últimos 36 anos, com algumas regiões apresentando queda de 200 mm, sendo 1992 o último ano de pico em termos de grande precipitação.

"A importância do trabalho é inegável. A questão do conflito demanda clarear a situação, considerando a questão climática, questões ecológicas e a disponibilidade de água do aquífero. Reunir cientistas para discutir de forma interdisciplinar é de grande valor. A possibilidade de discutir significa a possibilidade de ampliar soluções. A expectativa de todos é pela prudência na busca de soluções", comentou o professor de Hidrologia e Hidráulica da Uneb, o agrônomo Lázaro Vasconcelos.

A geóloga especialista em recursos hídricos da ANA, Márcia Tereza Gaspar, sinalizou a importância de obter avanços na governança e na gestão. 'Os produtores investem em pesquisa porque procuram segurança nos seus investimentos. Um desafio será reverter os resultados em consequência regulatória. O que se vê forte no Urucuia é a relação entre a água superficial e subterrânea, integrar a gestão seria um esforço válido', comentou.

Já a professora Yvonilde Medeiros, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Gestão de Recursos Hídricos da UFBA, reforçou a seriedade do trabalho e das metodologias utilizadas. 'É um primeiro passo. As metodologias são as mais adequadas. Como representante do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, vejo que para melhorar a repartição do uso da água esse estudo é importantíssimo'.
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