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07/08/2017 19:00

Audiência pública debate obras de macrodrenagem no Rio Jaguaribe

Uma plenária lotada participou ativamente do debate promovido pela Frente Parlamentar Ambientalista da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), nesta segunda-feira (7), coordenada pelo deputado estadual Marcelino Galo. O Governo do Estado foi representado pelo secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, que apresentou o projeto de macrodrenagem dos Rios Jaguaribe e Mangabeira. Também participaram, o secretário estadual do Meio Ambiente, Geraldo Reis, representantes das associações e conselhos de moradores dos bairros afetados, movimentos ambientalistas, especialistas acadêmicos, deputados, vereadores, dentre outros.

O secretário Bruno Dauster apresentou o histórico da ocupação da região, entre as avenidas Luis Vianna Filho (Paralela) e a Otávio Mangabeira (Orla), em Piatã, desde 1959, e o cenário atual de adensamento, segundo o qual não sobram áreas desocupadas suficientes para permitir as cheias naturais do rio. Segundo ele, são três os objetivos principais do projeto, que é de responsabilidade da Sedur/Conder: o controle das cheias, evitando alagamentos; criar estrutura para ligação de esgotamento sanitário nas residências, evitando lançamento de esgotos no rio; e a remoção de cerca de 150 famílias de áreas de risco. "As soluções foram escolhidas para causar o mínimo custo social, preservando as relações de vizinhança e moradia das comunidades ao evitar desapropriações que possam ser evitadas", explicou. Segundo Dauster, o problema de alagamento acontece ao longo de todo o rio Mangabeira e Jaguaribe.

O projeto foi defendido pelos moradores presentes do km 17 e do Bairro da Paz. José Carlos Santos, presidente do Conselho de Moradores do Bairro da Paz, foi um dos defensores da obra, que segundo ele é essencial para melhorar a qualidade de vida e saúde dos residentes do bairro. "Fiquei surpreso com a suspensão da obra, porque participamos de várias reuniões, que aconteciam todas as terças-feiras, e todos os condomínios tiveram participação e discutiram o projeto", defendeu.

Meio Ambiente - Por outro lado, movimentos ambientalistas reivindicaram um maior aprofundamento nas discussões e questionam a concepção geral do projeto. "O equívoco está no conceito de produzir o rápido escoamento das águas, enquanto as tecnologias mais recentes trabalham no sentido inverso, de retenção das águas, simulando o comportamento natural de um rio", explicou o engenheiro Lafayete Luz. Segundo ele, soluções como bacias de retenção seriam algumas sugestões técnicas para o projeto, que foram, contudo, descartadas por não haver áreas para sua execução.

Os secretários de governo, Dauster e Reis, manifestaram preocupação com o embargo da obra, pois um trecho a montante, no rio Trobogy/Passa Vaca, já teve finalizada sua obra de canalização, o que deverá aumentar o volume de águas despejado rio abaixo, causando riscos sérios de enchentes ao longo do curso.

"Sabemos que o contexto apresentado não permitirá uma solução ambientalmente ideal, mas é urgente a solução deste impasse. As contribuições dos movimentos ambientalistas foram inestimáveis e esperamos poder agregar, ainda que de forma secundária, o que for viável. Acredito que o embate nos serviu de experiência para futuros caminhos na construção de uma relação sinérgica e colaborativa para a governança do nosso estado, nos quais a dimensão ambiental seja cada vez melhor compreendida por todos os atores sociais", disse o secretário Geraldo Reis.
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