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17/03/2017 16:20

Comunidades recebem capacitação para operar sistema de dessalinização da água

Uma água mineral de alta qualidade está sendo produzida no semiárido baiano. Cerca de 145 comunidades rurais já contam com sistemas de dessalinização implantados pelo Programa Água Doce (PAD), metodologia que transforma água salobra de poço em água potável da mais alta qualidade para o consumo humano, além de incentivar a autonomia das comunidades na gestão do seu mais precioso recurso natural.

A Secretaria do Meio Ambiente (Sema), responsável pela coordenação do programa, em parceria com a Companhia de Engenharia e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb) e o Ministério do Meio Ambiente, levou, nos dias 14 e 16 de março, oficinas de capacitação para operadores de sistemas de dessalinização de 28 comunidades baianas. Ao todo, quase 80 comunidades já receberam a capacitação, ação que visa a garantir o funcionamento adequado do sistema, bem como auxiliar e incentivar as comunidades no aprimoramento da gestão da água.

"O Governo da Bahia está atuando em várias frentes no combate e enfrentamento à crise hídrica. O Água Doce tem um papel muito importante porque produz água de qualidade para o consumo, garantindo este direito fundamental a famílias de comunidades rurais com extrema dificuldade hídrica", comentou o secretário Geraldo Reis, da Sema.

Segundo o gestor, "na primeira etapa do PAD na Bahia, foram implantados, até 2016, 145 sistemas, em 26 municípios. Para a segunda etapa está prevista, até 2019, a implantação de mais 150 unidades, em 48 municípios. A previsão total de investimento é em torno de R$ 62 milhões, com recursos do Ministério do Meio Ambiente", disse.

Oficina - A comunidade do Rodeador, na zona rural de Juazeiro, abrigou a oficina na última quinta-feira (16), reunindo operadores de 13 comunidades dos municípios de Juazeiro e de Campo Alegre de Lourdes. Outras 15 comunidades de Uauá e Canudos participaram da capacitação realizada dia 14, quarta-feira, em Uauá.

"Só quem sabe o que é falta d´água é quem já passou. Hoje eu me orgulho por fazer parte de uma das melhores águas da Bahia", disse Aparecido Tadeu dos Santos, 40 anos, operador voluntário do sistema implantado na comunidade do Rodeador, onde 30 famílias baianas encontram segurança hídrica com o Programa Água Doce (PAD).

"A água que temos aqui é 100% tratada, vem direto do solo, não tem química nenhuma. O pessoal daqui está muito orgulhoso desse funcionamento", contou o agricultor, lembrando que quando criança percorria quatro km para buscar água numa cacimba (cova aberta em terreno úmido para recolher a água). "E hoje o pessoal chega de motinha ou de bicicleta e enche seu garrafão de água mineral boa pra beber. A vida da gente está sem comparação com o que era antes. Temos água doce, cisterna, energia elétrica e até internet em casa. Aqui está 100%!".

Segundo o presidente da associação de moradores do Rodeador, Elton dos Santos, 26 anos, depois do dessalinizador, as doenças diminuíram na comunidade, que antes bebia água de carro pipa, muitas vezes de procedência ruim ou contaminada no processo de distribuição.

Protagonismo - Na tecnologia social proposta pelo PAD, cada comunidade desenha a forma de gestão de sua água. Em geral, é cobrado um valor simbólico de R$ 0,25 por um garrafão de 20 litros de água mineral tratada. O valor cobrado vai para um fundo da própria comunidade para garantir a manutenção do sistema. "O próprios membros da associação é que fazem a gestão. Aqui a comunidade tem um nível de organização muito grande. Nosso sistema funciona dias de terça, quinta e sábado, das 8h às 9h. Os operadores cuidam do equipamento e distribuem a água nesse horário".

Tecnologia - O sistema é, basicamente, composto pelo poço, de onde é puxada a água salobra, que vai para o dessalinizador, equipamento que tem uma tripla membrana com microporos que filtram a água, retendo o excesso de sais minerais, além de retirar totalmente o flúor, o nitrato, bactérias e vírus. " O resultado é uma água purificada e com quantidades ideais de sais minerais para o organismo. A água pluvial não tem sais minerais", chamou a atenção o engenheiro da Cerb Raimundo Menezes, que ministrou a capacitação aos operadores.

O efluente (concentrado das substâncias retidas) é canalizado para um tanque com lona, onde a comunidade pode criar tilápias, ou irrigar culturas resistentes aos sais, como a erva-sal, que serve para alimentar caprinos e ovinos, entre outros.

Critérios de seleção - Segundo Adriano Zeferino da Silva, coordenador de Programas e Projetos Ambientais da Sema, "entre os critérios para seleção das comunidades estão a existência de poço de água salina ou salobra, realização de teste de vazão, acesso à energia elétrica e o tamanho da comunidade, que deve ter pelo menos 20 famílias. Também são considerados os critérios de renda e IDH, além da dificuldade de acesso à água potável e escassez hídrica da região atendida". O coordenador explica que o PAD visa a uma política pública permanente de acesso à água de qualidade.

Para bióloga Aldacira Bezerra, consultora do PAD Nacional que está acompanhando a realização do programa na Bahia, "uma das riquezas do Água Doce é que promove a autonomia das comunidades. Ele não pertence à prefeitura, ou a nenhum governo. Pertence à comunidade, que é a dona da água e tem autoridade para decidir sobre seu uso", disse.

Inaldo Loiola, assessor de relações institucionais da Companhia Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Juazeiro (SAAE), chamou a atenção dos operadores locais para a importância de cuidar do sistema e garantir a sua sustentabilidade a longo prazo. "As comunidades devem despertar para o aproveitamento do sistema ao máximo, implementando atividades produtivas associadas à produção da água, o que vai ampliar a segurança alimentar e gerar renda para essas famílias".
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